Livraria 0800 e Loja Grátis, na Maré, contam com 500 pessoas!

Loja Grátis e Livraria 0800
Loja Grátis e Livraria 0800 (Foto: Filipe Cordon)

Mais de 500 pessoas estiveram presentes na terceira edição da ‘Loja Grátis’ e da ‘Livraria 0800’, na Maré. A atividade foi realizada no sábado, dia 19 de novembro de 2016.
Durante toda a tarde, livros, roupas, bolsas, dentre inúmeros outros objetos foram distribuídos para crianças, adolescentes, jovens, senhoras e senhores que passavam pela rua.
A troca é o melhor sentido dos nossos encontros, afinal, não são apenas os objetos que são trocados e, sim, o saber e a ‘conversa fora’ junto aos moradores mareenses.
Para a próxima, que será no dia 17 de dezembro, vésperas de Natal, o grupo de moradores que organizam as doações, durante a entrega de objetos, vão sentar e bater um papo com as crianças com as ‘rodas de leituras’.

Vai ficar de fora dessa?

Entre no link e veja o endereço da atividade: https://www.facebook.com/events/1259767790760038/

Curta a Página ‘Maré 0800’: https://www.facebook.com/Mare0800/?fref=ts

Moradores de favelas lutam pela permanência do aluguel social e pelo direito à moradia no Rio de Janeiro

aluguel-social_1Será realizada na próxima semana, a votação do projeto de decreto legislativo que prevê a anulação da decisão do governador Luiz Fernando Pezão de acabar com o aluguel social. A notícia saiu na tarde desta quinta-feira, dia 24 de novembro, depois que um grupo de moradores de diversas favelas do Rio organizou um protesto em frente à Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro (Alerj).
Os objetivos da manifestação foram: pelo pagamento imediato do aluguel social; pela não extinção do programa – como apresentado há poucas semanas pelo governador diante do pacote da austeridade-; além de uma resposta, à estes moradores, sobre as casas que nunca ficaram prontas.
Lembrando que as mais de 9 mil famílias que recebem hoje o aluguel social, moravam em casas construídas por elas mesmas. Mas, nos últimos anos, passaram pelo processo das remoções ou foram despejadas.
Maria de Fatima da Silva, construiu a sua casa própria, há quatro anos ela e toda a sua família foram despejadas. Segundo Maria, o governo prometeu uma nova moradia, mas nunca recebeu qualquer retorno. “Queria pedir ao Pezão que olhasse pela gente, as comunidades estão sofrendo. Fizeram um cadastro há quatro anos. Estou pagando um valor de aluguel de 600 reais pela casa. Trabalho na porta da igreja vendendo vela para completar o valor do aluguel.”, disse a moradora da comunidade Cobal.

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Para Oliete Maria da Silva, moradora do Jacaré, este é um verdadeiro estado de calamidade, ela e todas as outras pessoas estão sofrendo e a qualquer momento podem perder as casas por causa do atraso no pagamento do aluguel. “Já estamos com dois alugueis atrasados. Nós não queremos mais aluguel, eu quero a minha moradia. O governo prometeu que iria nos dar uma casa, mas nunca falou nada.”, complementou a moradora.

Lembrando que nos últimos anos, o Rio de Janeiro passou por grandes transformações na arquitetura da cidade por causa da grande especulação imobiliária. E, com a desculpa da urbanização, inúmeros moradores foram removidos de suas casas, outros foram despejados de ocupações urbanas localizadas no Centro do Rio e em favelas de grande interesse empresarial.

Sabe, senhor…

Foto Luiz Baltar_metromangueira

São séculos de opressão, séculos de silenciamento, de sujeição a algo que você sabe que não presta, que não vale nada, que te mata. Mas o capital te faz se sujeitar aquilo, ele faz com que você se silencie, sofra, cale, abaixe a cabeça porque você é servo, nasceu para servir o outro, o outro que tem cor branca, nome e sobrenome, tem um endereço que é muito diferente do seu, ele é de outra classe, é de outra raça, ele não nos pertence nem em pensamento, ele nasceu só para nos explorar.
Eu, eu nasci para servir a este senhor. E, por saber que ele, o senhor, me explora, todos falam que eu devo calar, que devo ser moldada, não posso tocar nas feridas, não posso questionar, tenho que obedecer, obedecer ao senhor.
Mas, senhor, sabe quais feridas que carrego e você é culpado por isso? É a fome, esta palavra te incomoda? Imagina pra quem sobrevive à fome, para quem a sente até hoje. Hoje digo que sou muito privilegiada por não sentir mais esta tal palavra, que são mais que palavras e até sentidos, é a fome, esta palavra mata porque a sentimos, ela incomoda e muito a quem a sente até hoje.
Sabe, senhor, a sua existência me mata, você vive do conforto que a minha pele te dá, do meu suor, do meu sofrimento, das minhas lágrimas, você vive porque sou eu quem te dou a existência. Sabe, senhor, eu não queria que você existisse, assim como você e toda a sociedade afirma há séculos, que eu também não deveria existir.

Anarquismo e Partidarismo no Brasil: Quando o Discurso de Ambos os Lados Não se Diferencia Tanto Assim…

Artigo escreto por: Humberto Salustriano da Silva

Quase sempre nas proximidades das eleições, uma intensa disputa política-discursiva se trava dentro da militância dos movimentos sociais. Entre textos de facebook, notas de repúdio e debates acalorados, põem-se em pauta os seguintes aspectos: O que seria afinal de contas a melhor estratégia de luta contra a opressão e dominação capitalista? Conseguiríamos o êxito necessário optando pelo afrontamento direto com as forças do Estado, e abandonando qualquer ilusão de que é possível destruí-lo, numa suposta luta por dentro das instituições? Ou, seríamos vitoriosos, por outro lado, se acreditássemos ainda nas vias eleitorais e lutas partidárias, na esperança de que o aparelho burocrático estatal possa ser gerenciado por políticos progressistas? Quem faz parte e acompanha todo esse processo de embates ideológicos, sabe bem que as respostas para essas questões estão bem longe de encontrar algum ponto convergente que agregue todos os militantes. O que verificamos, ao contrário, é uma gradativa intensificação das divergências e fragmentações políticas, sem contar os desgastes pessoais e afetivos que normalmente ganham contornos de dramaticidade.

Foto tirada durante do Grito dos Excluídos, 2016.
Foto do ato: Grito dos Excluídos, 2016.

Entretanto, não é sobre essa dicotomia entre os discursos ideológicos da militância política dos movimentos sociais, que me interessa aqui apresentar uma singela crítica. Quero destacar, numa outra perspectiva, o elemento em comum que é possível identificar, seja no pensamento anarquista (da destruição do estado), seja no pensamento partidário (na disputa pelo estado). Em ambas as ideologias praticadas pelos militantes, existe muito mais coisas que os fazem convergir do que aparentemente poderíamos imaginar. Comecemos, por exemplo, pelos autores dos discursos. Quem somos nós na cartografia social deste país? Quem somos nós no exercício e no domínio da linguagem? Quem somos nós no panorama da intelectualidade?

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Entrevista com Michel da Silva, um dos idealizadores do Fala Roça

Michel da Silva, de 22 anos, é morador da Rocinha, estagiário na área de Ação Social do Instituto Moreira Salles e estudante de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, na PUC-Rio. Este jovem é um dos idealizadores do jornal Fala Roça, considerado atualmente um dos comunitários mais badalados das favelas cariocas. No início deste ano, fiz uma entrevista com Michel para saber mais sobre o impresso e sobre as ideias futuras que toda a equipe vem planejando para melhorar a atuação na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Leia a entrevista completa abaixo:

Foto retirada da página do facebook do Fala Roça
Jornal Fala Roça – Foto retirara da página do facebook do jornal Fala Roça

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Loja Grátis da Maré recebeu a visita de mais de 100 moradores

LojaGratisMais de 100 moradores passaram pelo dia agitado do Loja Grátis da Maré. A atividade realizada no último sábado, 03 de setembro, durante todo o dia, foi organizada por um grupo de pessoas da Maré e apoiadores da luta mareense.

O espaço escolhido para inaugurar a loja foi o ‘Curso AKairos Preparatório’, unidade de Educação Complementar voltada para o reforço escolar, ensino de idiomas e preparatórios para concursos, localizado na favela Nova Holanda.  Continuar lendo “Loja Grátis da Maré recebeu a visita de mais de 100 moradores”

A miséria, a pobreza e o governo popularesco que não temos mais…

Minha formatura
Minha formatura na Puc Rio, em 2011.

Gente, sabe a miséria? Então, minha família era desta classe E. Hoje não mais, hoje somos pobres, é bem diferente de ser miserável. Éramos miseráveis mesmo, sem comida, sem emprego, morando no esgoto, no lixo, outros sem casa. A escolaridade mais alta da minha família era a terceira série primária, isto até uns 10 anos atrás. Hoje, todas as crianças da minha família estudam, todos nós moramos em uma casa, mesmo que num barraco ou numa ocupação como eu. Todas as mulheres da minha família são empregadas domésticas ou faxineiras, os homens trabalham em faxina, como pedreiros ou vendem peixe, como o meu pai. Vejam a minha realidade, posso dizer com toda a certeza, que a merda deste governo popularesco do PT fez muita diferença na minha vida e na vida da minha família. Repito, continuo morando numa ocupação sem o mínimo de saneamento, não tenho emprego, não tenho bolsa na universidade, não tenho renda, mas me viro nos trinta porque muitos faveladxs lutaram antes para que eu estivesse numa universidade hoje. EU NÃO ACREDITO NO GOVERNO. Mas eu só penso que as crianças da minha família que estão sonhando com a universidade não terão mais isto…