Vamos criticar os privilegiados?

Criticam favelado por ter entrado na faculdade. Alguns reproduzem a ideia de que, depois da entrada destes na facul, estes viraram classe média? Me diga, que classe média e individualista? Amigo, a gente ainda tem que lutar por emprego depois que sai da facul. Nossa realidade é outra, a gente não tem inglês, temos que aprender português, é tanta coisa…
Criticam favelado por ser voluntário de ongs, de eventos. Mas vamos falar de boa, pq eu falo tanto das ongs, mas se não fossem elas, aonde eu iria passar quase 4 anos de graça no pré-vestibular refazendo o meu ensino médio? Fiz inúmeros cursos grátis por lá, eu ainda falava que não podia pagar NADA… (Não estou agradecendo a elas por isso, apenas dizendo que isso é real)
Outra coisa, criticam a gente também por receber bolsa auxílio, mas vou te contar. Quem me liga até hoje me oferecendo cursos profissionalizantes é o governo PT (Oferecendo bolsas que ainda não foram retiradas pelo novo governo). Olha que me inscrevi nisso desde quando eu recebia auxílio de comida, de gás, bolsa escola, essas paradas aí…Deve ter uns 10 anos, ainda quando meus irmãos eram menores de idade. (Não estou louvando o PT, apenas dizendo que isso é vida real)
Podem achar tudo contraditório, mas todas estas contradições fazem parte do nosso dia a dia, é sobrevivência, nossa luta é básica.
Temos que tirar o foco da crítica à favela, a crítica tem que ser feita lá em cima, aos que detém o poder, aos que sempre tiveram privilégios, pq eles têm tudo e nós temos migalhas? Os privilegiados que merecem qualquer crítica. Agora, as críticas internas, deixem com a favela, ela sabe fazer a ela mesma.

Clima Olímpico? Só se for no asfalto…

Ocupação militar da Maré / RJ Entrada das forças armadas, 5 de abril de 2014 Essa foto jamais poderá ser usada para ofender a imagem do fotografado, atentar contra sua honra e dignidade. Seu uso destina-se a fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Proibida a utilização sem autorização do autor. Para usa-la, entre em contato com lbaltar@gmail.com. Essa foto está resguardada por direitos autorais. Rio de Janeiro 05/04/2014.
Ocupação militar da Maré / RJ
Entrada das forças armadas, 5 de abril de 2014

Clima Olímpico? Só se for para o asfalto, pois o clima na favela é de guerra e medo. É guerra aos pobres, aos negros, guerra aos favelados, guerra à população pobre e periférica da cidade.
A cidade do Rio de Janeiro está sediando um megaevento, mais um megaevento, as Olimpíadas.
O que se passa na TV é a festa verde e amarela, só que ninguém me convidou, ninguém nos convidou para esta festa. Esta nação nunca me permitiu nem viver, quanto mais festejar algo.
São inúmeras favelas hoje, no Rio, cercadas, sitiadas por forças militares para que alguns, alguns ricos curtam esta festa mundial.
Esta festa me mata, é em meu nome, com o meu sangue que ela está sendo realizada. Estão nos impedindo não só de circular a cidade, mas de viver, é o meu sangue no chão em troca de um megaevento.
Enquanto você comemora e assiste a cidade maravilhosa na TV, estou aqui sem o direito de colocar o pé na rua. Enquanto alguns estão festejando bem ali no centro do Rio e em outros bairros da cidade, estou aqui na minha favela sendo silenciada, aterrorizada pelas forças de repressão. São armas que matam, são tanques que cercam, são helicópteros que perturbam a nossa vida.
Neste momento, há um silêncio absurdo na favela, mas ao fundo, alguns sons de tiros. Para quem vive na favela, sabe que o silêncio é sempre sinal de medo, um terror vindo dos nossos próprios governantes que historicamente veem a favela como o perigo da cidade.
Eles invertem a lógica, pois não somos nós o perigo da cidade, são eles, eles que detém a força e as armas contra a população pobre da cidade. Eles não nos consideram como parte da cidade, eles apenas querem que a gente continue como estamos: pobres, miseráveis, silenciados com a força do medo e que sejamos sempre servos deles.

Estado que mata? Nunca mais! Mas ele está aqui, ele continua nos matando…

Primero que nada, fuera UPP!

13570048_1724479987839777_1574232973_oFoto:  Luiz Baltar

Una vez más, así como todos los días, la vida mareense fue interrumpida. Desde la madrugada de este lunes, 20 de junio, oíamos balazos.

Fuimos impedidos a circular, entrar o salir de nuestras favelas por un día más.

Por la mañana, las escuelas informaron que no habría clases, permanecieron cerradas y regresaron a sus casas a los niños que había logrado llegar a la escuela.

Un día más, el Conjunto de Favelas de la Maré, Zona Norte de Rio de Janeiro, sólo escuchó los balazos y no sólo fueron cerradas las escuelas por esta razón, sino también las centros s de salud. Pero la vida allá afuera de los muros visibles y invisibles de la favela, todavía sigue su curso. Nó solo sucede sino que también nos demandan, sobre el tiempo para llegar al trabajo, a la escuela o a las a universidades. Nos demandan e incluso dicen que nosotros tenemos la culpa de eso. Nos exigen y dictan reglas sobre lo que tenemos que pensar sobre eso.

Ees necesario entendert que esta política de crimalización de la pobreza no es mía, no es culpa de la favela, sino que es una política hecha de arriba hacia abajo. Sí, una política que deviene del Estado, del gobierno,  de las prioridades que ellos tienen y que desean tener para mantener a los suyos y a los privilegios de este pequeño sector de ricos  pertenecientes a la nación brasileña.

Irónicamente, actualemente tenemos  un país que está gritando “Fuera Temer”, “Permanece Dilma” pero que aquí, en el espacio favelado nuestro grito es “Fuera Bope”, “Fuera UPP”, “Fuera Ejército”, “Fuera la criminalización de la pobreza”, “Fuera las Olímpiadas”. Es decir, que nuestro grito tiene que ver más con la exigencia al derecho por la vida. La vida, es un sueño que todavía debe ser conquitado por la nación pobre, negra y favelada.

Ya sabemos el motivo por el cual somos tratados así, y además de ser mano de obra barata nos convertimos en un público que puede ser asesinado. Somos un sector que puede tener tanques de guerra, bope, policía antidisturbios, UPP y Ejército, por el simple hecho de vivir en un lugar favelado, periférico y pobre. Son innumerables las favelas que hoy en día están sufriendo esto, tan sólo en la ciudad de Rio de Janeiro.

Honestamente, con todo esto nosotros no podemos “Fuera Temer”, “Permanece Dilma”, ya que ellos no me representan, ellos nos matan y permiten que se derrame en el piso la sangre de nuestra gente de las favelas. No podemos perder el tiempo gritando algo que simplemente no nos contempla. Ya conocemos los intereses del gobierno, el cual, sólo quiere sus megaeventos, pero yo, quiero la vida! Es una lucha primaria, es la vida!

Me gustaría no ver más nada sobre eso, ni sentir nada al respecto,  o lavar mas sandre, ni tampoco exponer una sola palabra sobre esto. Pero no se puede evitar no verlo ni mucho menos, aceptarlo e conformarse con ello. Por esta razón, es necesario gritar y seguir gritando hasta que nos escuchen: “Fuera la militarización de las favelas”! Ese es nuestro histórico grito en la nación favelada!

Es nuestra sangre la que se derrama en el piso a cambio de un megavento!

Favela resiste!

Quem deve ser estudado?

Estamos no Rio de Janeiro, a cidade Olímpica. Uma cidade extremamente rica, uma das mais ricas do país e do mundo e, também uma das mais desiguais.

Desde o início que as favelas sofrem com a criminalização da pobreza, assim como todas as periferias e favelas de todo o país. É criminalização, é racismo, é uma violência diária que sofremos por parte dos nossos governantes.

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Fome ou tiro?

sem título--32Minha bisavó teve 18 filhos na Paraíba. Parte deles morreram de fome no sertão. Ela e meu bisavó resolveram então vir para o Rio de Janeiro em busca da cidade maravilhosa, em busca de trabalho e da vida prometida pela televisão.

Chegaram e foram trabalhar na construção da Avenida Brasil, chegaram e vieram morar na Maré quando tudo aqui ainda era palafita. Todas as mulheres da minha família foram trabalhar como diarista, empregada doméstica. Os homens foram pra obra, motoristas, pedreiros e pescadores.

Ou seja, lá na Paraíba era a fome, aqui no Rio é o tiro… o tiro que ainda ouço aqui neste momento…Nós não temos chances, não temos saídas, o lema é trabalhar e morrer… morrer para alguns viverem em troca da minha fome e do meu sangue…

Primeiramente, fora UPP!

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Mais uma vez, por mais um dia, a vida mareense foi interrompida. Desde a madrugada desta segunda-feira, dia 20 de junho, ouvíamos tiros.
Fomos impedidos de circular em nossas favelas por mais um dia, ou de entrar ou sair delas.
Pela manhã, as escolas informaram que não haveriam aulas, ficaram fechadas, mandaram as crianças que conseguiram chegar na escola para casa.
Por mais um dia o Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio, só ouviu tiros, além das escolas, os postos de saúde permaneceram fechados. Mas a vida lá fora dos muros visíveis e invisíveis da favela acontece. Não só acontece como cobra da gente, cobra o tempo para chegar no trabalho, na escola, na faculdade. Cobra dizendo até que somos culpados por isso, cobra e dita regras dizendo o que temos que pensar sobre isso.
É preciso entender que esta política de criminalização da pobreza não é minha, não é culpa da favela, ela é uma política feita de cima para baixo. Sim, política, vem do Estado, vem do governo, vem das prioridades que ele tem, que ele quer ter para manter os seus e o os privilégios de alguns poucos ricos da nação brasileira.
Ironicamente, temos atualmente um país gritando “Fora Temer”, “Fica Dilma”, mas aqui no espaço favelado o nosso grito ainda é “Fora Bope”, “Fora UPP”, “Fora Exército”, “Fora criminalização da pobreza”, “Fora Olimpíadas”. Ou seja, nosso grito ainda é pelo direito à vida. Vida, um sonho ainda a ser conquistado pela nação pobre, negra e favelada.
Já sabemos o motivo de sermos tratados assim, somos ainda mãos de obras baratas, somos ainda o público matável. Somos ainda o público que pode sim ter caveirão, bope, choque, UPP, Exército na sua porta só por morarmos neste lugar favelado, periférico, pobre. São inúmera favelas sofrendo isto hoje só no Rio de Janeiro.
Sinceramente, não dá para gritar “Fora Temer”, “Fica Dilma”, estes não me representam, eles me matam, eles permitem o sangue favelado no chão. Não dá, não dá para perder tempo gritando algo que não me contempla. Já sabemos os interesses do governo, ele quer megaeventos, eu quero a vida! É uma luta ainda muito primária, é a vida!
Queria não ver tudo isso, não sentir nada disso, não lavar mais sangue, não expor mais nada disso. Mas não dá para não ver, não dá para aceitar, não dá para se conformar. É preciso gritar, continuar gritando “Fora militarização das favelas”! É este o grito histórico da nação favelada!

É o nosso sangue no chão em troca de um megaevento!
Favela resiste!

Eu não vou defender a madame, ela explorava a minha vó.

Eu não vou defender a madame, ela era patroa da minha vó, tipo..sinhá mesmo.
Não consigo defender a madame porque ela demitiu a minha vó assim que minha mãe morreu. Já que minha vó ficou responsável por mais 5 crianças menores de idade (eu e meus irmãos). Automaticamente, as tarefas dela em casa aumentaram e nem sempre ela conseguia chegar no horário no seu trabalho. No entanto, o mais fácil para a patroa, foi demitir a minha vó sem qualquer direito trabalhista.
Não vou defender a madame que fazia a minha vó dormir no chão da cozinha. Tinham inúmeros quartos na casa, mas eram trancados para minha vó não entrar. Era permitida a entrada dela só nos dias da faxina, com supervisão da patroa.
Não vou defender o direito da madame ter nome e sobrenome, se a minha vó sempre foi tratada na casa desta madame sem qualquer direito. Óbvio que a minha vó só foi tratada assim por morar no espaço favelado, por ser paraibana, por ser mulher pobre.
Não vou defender a madame que deixou minha vó sem aumento salarial por 10 anos. Dizia que minha vó tinha que agradecer por ter um emprego numa casa de família tão boa.
Não vou defender a madame porque ela não precisa da minha defesa. Enquanto ela explora as minhas, eu ainda estou com as minhas lutando pelo direito à Pec das empregadas domésticas.
O debate é muito mais além do que a tal sororidade, é classe, é raça, é privilégio branco, é histórico de um país racista que fez e nos faz entrar pelo elevador de serviço, que sustenta a ideia de que existam ainda quartos minúsculos de empregadas domésticas menores que o banheiro ‘principal’ da casa, a casa grande.Casa Grande dos dias atuais