Mais uma vez, mais um jovem é assassinado pela polícia na Maré e ninguém vê…

Morreu um favelado e a mídia comercial já afirmou que foi traficante, que tinha algum envolvimento ou que estava na rua na hora errada. E se tivesse algum envolvimento, é esse o tratamento? Diga? O nome dele, do jovem assassinado é Igor Firmino Silva, de 19 anos. Ele tem nome e sobrenome. Ele morava em algum lugar, num lugar onde nascer já é considerado crime? Por que a sociedade está hoje calada diante de um assassinato como este?

É preciso lembrar, Igor da Silva, de 19 anos, foi assassinado no Parque União, Conjunto de Favelas da Maré, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira, dia 22 de fevereiro. Foi um assassinato por policiais do CORE, ele não foi morto. É preciso mudar o tom das palavras, afinal, existe um genocídio desta população jovem e negra. Ou seja, existe uma política de matar pobres, favelados. Mas esta política é silenciada, é permitida, poucos veem, quase ninguém quer saber.

Além da mídia comercial que está criminalizando, vão ter aqueles que vão dizer: Por que as pessoas não ficam dentro de casa na hora do tiroteio? Que tiroteio, que guerra? Existe aviso de uma invasão da polícia? Por que a sociedade abarca este discurso de guerra às drogas? Por que estes legitimam que neste espaço chamado ‘Favela’ pode tudo, inclusive, invadir, atirar, matar os nossos?

Hoje, por mais um dia, inúmeras crianças moradoras da Maré não tiveram aulas. Depois vão dizer que pobre e favelado não gostam de estudar. Mas você sabia que tem pelo menos dois anos que as crianças da Maré não conseguem estudar? Primeiro, por causa dos tanques que ficaram durante um ano e cinco meses dentro dos becos e vielas da Maré. Agora, por causa das constantes invasões desta polícia, política, Estado, assassinos.

Estes que matam, matam há 500 anos esta população, ele mata há 100 anos os moradores deste lugar chamado ‘Favela’. O pedido é: Não permitam mais que nos matem! Não acreditem nesta política de Estado. A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), só serve para matar favelado, acabar com a nossa cultura, com a nossa saúde, com a nossa música, com o nosso, com o que construímos durante estes mais de 100 anos de favelas.

Para terminar, é preciso lembrar que a favela não é culpada por existir, ela não é o problema da sociedade. Este lugar, este espaço é uma grande solução para a falta de direitos. É por isso, que o Estado quer nos destruir, nós somos uma grande solução, construímos tudo com as nossas próprias mãos.

E o jovem Igor, estudante e funcionário de uma farmácia, não será esquecido, não tem como esquecer mais este sangue nosso derramado no chão. Chega de criminalização da pobreza, chega da favela chorar! Igor, presente! Maré resiste!

Publicado no dia 23 de fevereiro de 2016.

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