Comunicadores enfrentam censura e ameaças no país dos Megaeventos

A produção de matérias, vídeos e fotografias que denunciem algum tipo de violação, virou crime. Cada vez mais surgem denúncias de comunicadores e comunicadoras que sofrem ou já sofreram algum tipo de ameaça cometida pelos agentes armados do Estado durante estes últimos anos de Megaeventos no país.

Analisando a atual cidade olímpica, o Rio de Janeiro, em recente relatório divulgado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, em 106 casos contabilizados desde 2013 até janeiro de 2016, 67% das agressões ou ameaças foram feitas por policiais no Rio durante manifestações ou em espaços que há constante presença da polícia.

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Jornais comunitários e populares de favelas do Rio de Janeiro – Foto: Alessandra Cruz

Também em relatório produzido em 2015 pelo Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, aparecem depoimentos de comunicadores comunitários ameaçados. Exemplo disso, é o que ocorreu no Conjunto de Favelas da Maré, localizada na Zona Norte do Rio, favela que conviveu com a presença do Exército durante dois anos.

O relato do Fórum mostra que: “Em outubro de 2014, o fotógrafo e morador da Maré, Naldinho Lourenço, 31 anos, foi revistado pelo Exército e pela Polícia Federal e impedido de registrar uma operação na Vila do João. Quase todas as fotos feitas com o celular dele foram apagadas pelas autoridades sem motivo aparente”.

No final de 2015, na Favela do Jacarezinho, também localizada na Zona Norte do Rio, um fotógrafo também foi ameaçado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O comunicador, que não pode ser identificado, foi um dos que denunciaram o assassinado de um jovem negro ocasionado por policiais. O fato viralizou e foi parar em todas as mídias da cidade. Manifestações foram feitas pelos moradores da comunidade, mas foram todas duramente reprimidas pelos mesmos policiais. O fotógrafo continua ameaçado.

Assim como o caso que ocorreu na Maré e no Jacarezinho, outros fotógrafos, midiativistas e comunicadores de outras favelas do Rio, foram proibidos de circularem com celulares durante os últimos anos, alguns tiveram materiais de trabalho apreendidos, outros deixaram o próprio local de moradia com medo de sofrerem abusos mais graves. Estas censuras aconteciam e acontecem principalmente em favelas com a (UPP).

Lembrando que este ano será realizado os Jogos Olímpicos no Rio, o que significa que a censura, a proibição de produção de conteúdo que mostrem as violações do Estado, poderão aumentar. Retratar casos de assassinatos, roubos, invasões de casas, estupros, revistas constantes, tiroteios, entre outras tristes experiências que cada cidadão está passando durante estes anos, principalmente neste momento em que os olhos do mundo estão voltados para o Brasil, virou um grande problema.

Afinal, o único interesse dos governantes era e é o de apenas mostrar a falsa paz que eles diziam e dizem existir para atrair jornalistas internacionais, turistas e mais financiamentos internacionais para esta tal cidade maravilhosa.

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