Clima Olímpico? Só se for no asfalto…

Ocupação militar da Maré / RJ Entrada das forças armadas, 5 de abril de 2014 Essa foto jamais poderá ser usada para ofender a imagem do fotografado, atentar contra sua honra e dignidade. Seu uso destina-se a fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Proibida a utilização sem autorização do autor. Para usa-la, entre em contato com lbaltar@gmail.com. Essa foto está resguardada por direitos autorais. Rio de Janeiro 05/04/2014.
Ocupação militar da Maré / RJ
Entrada das forças armadas, 5 de abril de 2014

Clima Olímpico? Só se for para o asfalto, pois o clima na favela é de guerra e medo. É guerra aos pobres, aos negros, guerra aos favelados, guerra à população pobre e periférica da cidade.
A cidade do Rio de Janeiro está sediando um megaevento, mais um megaevento, as Olimpíadas.
O que se passa na TV é a festa verde e amarela, só que ninguém me convidou, ninguém nos convidou para esta festa. Esta nação nunca me permitiu nem viver, quanto mais festejar algo.
São inúmeras favelas hoje, no Rio, cercadas, sitiadas por forças militares para que alguns, alguns ricos curtam esta festa mundial.
Esta festa me mata, é em meu nome, com o meu sangue que ela está sendo realizada. Estão nos impedindo não só de circular a cidade, mas de viver, é o meu sangue no chão em troca de um megaevento.
Enquanto você comemora e assiste a cidade maravilhosa na TV, estou aqui sem o direito de colocar o pé na rua. Enquanto alguns estão festejando bem ali no centro do Rio e em outros bairros da cidade, estou aqui na minha favela sendo silenciada, aterrorizada pelas forças de repressão. São armas que matam, são tanques que cercam, são helicópteros que perturbam a nossa vida.
Neste momento, há um silêncio absurdo na favela, mas ao fundo, alguns sons de tiros. Para quem vive na favela, sabe que o silêncio é sempre sinal de medo, um terror vindo dos nossos próprios governantes que historicamente veem a favela como o perigo da cidade.
Eles invertem a lógica, pois não somos nós o perigo da cidade, são eles, eles que detém a força e as armas contra a população pobre da cidade. Eles não nos consideram como parte da cidade, eles apenas querem que a gente continue como estamos: pobres, miseráveis, silenciados com a força do medo e que sejamos sempre servos deles.

Estado que mata? Nunca mais! Mas ele está aqui, ele continua nos matando…

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