Sabe, senhor…

Foto Luiz Baltar_metromangueira

São séculos de opressão, séculos de silenciamento, de sujeição a algo que você sabe que não presta, que não vale nada, que te mata. Mas o capital te faz se sujeitar aquilo, ele faz com que você se silencie, sofra, cale, abaixe a cabeça porque você é servo, nasceu para servir o outro, o outro que tem cor branca, nome e sobrenome, tem um endereço que é muito diferente do seu, ele é de outra classe, é de outra raça, ele não nos pertence nem em pensamento, ele nasceu só para nos explorar.
Eu, eu nasci para servir a este senhor. E, por saber que ele, o senhor, me explora, todos falam que eu devo calar, que devo ser moldada, não posso tocar nas feridas, não posso questionar, tenho que obedecer, obedecer ao senhor.
Mas, senhor, sabe quais feridas que carrego e você é culpado por isso? É a fome, esta palavra te incomoda? Imagina pra quem sobrevive à fome, para quem a sente até hoje. Hoje digo que sou muito privilegiada por não sentir mais esta tal palavra, que são mais que palavras e até sentidos, é a fome, esta palavra mata porque a sentimos, ela incomoda e muito a quem a sente até hoje.
Sabe, senhor, a sua existência me mata, você vive do conforto que a minha pele te dá, do meu suor, do meu sofrimento, das minhas lágrimas, você vive porque sou eu quem te dou a existência. Sabe, senhor, eu não queria que você existisse, assim como você e toda a sociedade afirma há séculos, que eu também não deveria existir.

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