Moradores de favelas lutam pela permanência do aluguel social e pelo direito à moradia no Rio de Janeiro

aluguel-social_1Será realizada na próxima semana, a votação do projeto de decreto legislativo que prevê a anulação da decisão do governador Luiz Fernando Pezão de acabar com o aluguel social. A notícia saiu na tarde desta quinta-feira, dia 24 de novembro, depois que um grupo de moradores de diversas favelas do Rio organizou um protesto em frente à Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro (Alerj).
Os objetivos da manifestação foram: pelo pagamento imediato do aluguel social; pela não extinção do programa – como apresentado há poucas semanas pelo governador diante do pacote da austeridade-; além de uma resposta, à estes moradores, sobre as casas que nunca ficaram prontas.
Lembrando que as mais de 9 mil famílias que recebem hoje o aluguel social, moravam em casas construídas por elas mesmas. Mas, nos últimos anos, passaram pelo processo das remoções ou foram despejadas.
Maria de Fatima da Silva, construiu a sua casa própria, há quatro anos ela e toda a sua família foram despejadas. Segundo Maria, o governo prometeu uma nova moradia, mas nunca recebeu qualquer retorno. “Queria pedir ao Pezão que olhasse pela gente, as comunidades estão sofrendo. Fizeram um cadastro há quatro anos. Estou pagando um valor de aluguel de 600 reais pela casa. Trabalho na porta da igreja vendendo vela para completar o valor do aluguel.”, disse a moradora da comunidade Cobal.

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Para Oliete Maria da Silva, moradora do Jacaré, este é um verdadeiro estado de calamidade, ela e todas as outras pessoas estão sofrendo e a qualquer momento podem perder as casas por causa do atraso no pagamento do aluguel. “Já estamos com dois alugueis atrasados. Nós não queremos mais aluguel, eu quero a minha moradia. O governo prometeu que iria nos dar uma casa, mas nunca falou nada.”, complementou a moradora.

Lembrando que nos últimos anos, o Rio de Janeiro passou por grandes transformações na arquitetura da cidade por causa da grande especulação imobiliária. E, com a desculpa da urbanização, inúmeros moradores foram removidos de suas casas, outros foram despejados de ocupações urbanas localizadas no Centro do Rio e em favelas de grande interesse empresarial.

Cerimônia de entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência emociona todo o público

medalha_GizeleMartins.jpgMais de 200 pessoas estiveram presentes na 28ª entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência, realizada no auditório da OAB, no Rio de Janeiro. A cerimônia, que começou por volta das 19h, contou com movimentos sociais, familiares de vítimas da ditadura militar, familiares de vítimas da atual repressão do Estado em favelas cariocas, organizações de direitos humanos e militantes de diversas partes do país. O Grupo Tortura Nunca Mais, grande realizador desta premiação, conseguiu mais uma vez emocionar todo o público: músicas, cânticos que lembram a resistência durante a ditadura e gritos de ordem, foram entoadas por todo o público durante as duas horas de homenagens. Continuar lendo “Cerimônia de entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência emociona todo o público”

Mulheres: uma luta que deve ser diária

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Apresentação do Teatro do Oprimido no calçadão de Campo Grande (Foto: Gizele Martins)

Com teatro, música, panfletagem e muita emoção foi realizado o ato ‘Pelo Dia Internacional da Mulher’, na manhã do dia 12 de março, no calçadão de Campo Grande. Aproximadamente 40 mulheres estiveram presentes, sem contar nas que passavam pelo local e paravam para ouvir, participar e ver a encenação feita pelo Teatro do Oprimido 12, do Conjunto de Favelas da Maré.

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Protesto contra o genocídio da juventude negra

Rafael Daguerre
Foto: Rafael D’aguerre

Mais de mil pessoas participaram do ato ‘Contra o Genocídio da Juventude Negra’, realizado na tarde desta quinta, 3 de dezembro, no Parque de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro. A manifestação foi convocada com o objetivo de lembrar o que ocorreu no último sábado, dia 28, quando cinco jovens foram assassinados dentro de um carro pela Polícia Militar, em Costa Barros.

Cartazes, músicas, frases e falas marcaram o ato que percorreu algumas ruas movimentadas de Madureira. Inúmeras pessoas que passavam paravam e ouviam as mensagens de revolta contra as mortes e de solidariedade aos familiares das vítimas. Continuar lendo “Protesto contra o genocídio da juventude negra”

Comunicação Comunitária: Censuras e ameaças dentro das favelas do Rio

Nesta semana em que se é lembrado o dia nacional pela democratização da comunicação, é importante lembrar da atual situação dos comunicadores comunitários de favelas do Rio de Janeiro, pois a censura tem sido um dos principais problemas enfrentados por muitos deles.

Em um relatório realizado pelo Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, inúmeras denúncias de comunicadores ameaçados, revistados e afastados de seus locais de moradia e atuação têm crescido dentro das favelas do Rio por causa da entrada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

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Protestar virou crime no país dos Megaeventos, denunciar violações do Estado é considerado um suicídio

Se tratando de coberturas em protestos, em caso recente, dois midiativistas foram presos este ano em São Paulo, apenas por tentarem produzir e denunciar aquilo que é de interesse da sociedade. O mais incoerente é que a liberdade de expressão é garantida por lei, mas são cada vez mais recorrentes prisões, assassinatos e ameaças aos que tentam exercer o seu direito de comunicar.

Military Police officers confronting protesters during a protest in Presidente Vargas Avenue, Rio de Janeiro on 13 June 2013.
Foto: Luiz Baltar (Protesto no Rio de Janeiro)

Alguns casos apresentam este panorama no país: No Rio, em 2014, houve a morte do Jornalista Santiago Andrade. Ele fazia cobertura sozinho em um dos atos contra a Copa do Mundo. Acabou sendo atingido por um rojão e chegou a falecer no dia seguinte. Ainda em 2014, em protesto contra a Copa do Mundo, em São Paulo, outros cinco jornalistas foram presos. A Polícia Militar deteve três jornalistas e dois fotógrafos. Em outubro de 2015, em um dos protestos contra o fechamento das escolas de São Paulo, o jornalista Caio Castor foi hostilizado e teve seus equipamentos danificados, além de ter sido preso. Continuar lendo “Protestar virou crime no país dos Megaeventos, denunciar violações do Estado é considerado um suicídio”