2ª edição: Histórias Vivas – O histórico de resistência das favelas do Rio de Janeiro

Programação das aulas: Histórias Vivas – O histórico de resistência das favelas do Rio de Janeiro

Histórias Vivas - 2ª edião
Histórias Vivas – 2ª edião – Arte: Luiz Baltar

Vem aí a segunda edição do curso ‘Histórias Vivas – O histórico de resistência das favelas do Rio de Janeiro’. O curso tem como objetivo mostrar o nascimento das favelas na cidade do Rio de Janeiro e o seu posterior crescimento em todas as direções do país. O público alvo será jovens de diferentes favelas do Rio de Janeiro.
O programa contempla, dentre outros, os seguintes tópicos: surgimento das favelas – em suas diferentes versões -; racismo institucional; organização interna do modelo; início do saneamento básico; saúde e educação; condições gerais de habitação, trabalho e mobilidade; imagens do autoritarismo em diferentes períodos históricos; eclosão dos mutirões; nascimento das associações de moradores; mídia comunitária; cultura popular.
O curso será dividido em dois módulos. No primeiro deles, as aulas serão ministradas por pesquisadores e por moradores de algumas favelas da cidade – nas aulas referentes ao autoritarismo, por exemplo, trataremos depoimentos de moradores acerca do impacto da ditadura militar (1964-1984) dentro das favelas do Rio. O módulo vespertino recebeu o título de “Histórias vivas”, pois será composto por relatos, feitos pelos próprios residentes, da atual realidade vivenciada pela população favelada.

PROGRAMAÇÃO DAS AULAS:
• As diferentes versões para o seu surgimento das favelas; De onde vem a população favelada?; Os primeiros espaços de moradia dessa população; O tratamento do governo.
• Favela: problema ou solução?; O afastamento dos grandes centros – As primeiras remoções; Ações do governo federal na política habitacional; Organização interna das favelas – os primeiros movimentos comunitários; o nascimento dos mutirões; Chegada dos Serviços Públicos: iluminação e saneamento básico.
• Surgimento de unidades de atendimento médico; Saúde pública; Criminalização e presença do Estado; Os cortiços, os morros, as favelas.
• Morro da Favella, outros morros; Tratamento da Mídia, do Governo e da Cidade; Criminalização da pobreza – a favela relatada sempre como um local violento.
• Histórico dos Modelos de ‘Segurança Pública’ nas favelas; Ditadura Militar; Atuais Modelos de Segurança Pública: UPPs; Exército; Força Nacional; Guarda Municipal; Militarização da Vida.
• Cultura Popular – Proibição dos Bailes Funks, dos Sambas, das Festas.
• Remoções – da época da ditadura aos dias atuais; Afastamento dos pobres dos grandes centros durante a ditadura; Megaeventos e seu impacto nas favelas cariocas (Cobertura da mídia); Remoções atuais – 77 mil pessoas removidas.(cobertura da mídia)
• A Questão Racial como base política para a falta de todos os direitos que não são dados à população favelada, em sua maioria, negra; Maneira como são feitas as pesquisas em favelas: os estigmas, a narrativa, os estereótipos.

Inscrições pelo link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeTiKQYc8gppHW9vwWKKLo35bese6ISEstsfzlSJt-Y3mp8GA/viewform

Vamos criticar os privilegiados?

Criticam favelado por ter entrado na faculdade. Alguns reproduzem a ideia de que, depois da entrada destes na facul, estes viraram classe média? Me diga, que classe média e individualista? Amigo, a gente ainda tem que lutar por emprego depois que sai da facul. Nossa realidade é outra, a gente não tem inglês, temos que aprender português, é tanta coisa…
Criticam favelado por ser voluntário de ongs, de eventos. Mas vamos falar de boa, pq eu falo tanto das ongs, mas se não fossem elas, aonde eu iria passar quase 4 anos de graça no pré-vestibular refazendo o meu ensino médio? Fiz inúmeros cursos grátis por lá, eu ainda falava que não podia pagar NADA… (Não estou agradecendo a elas por isso, apenas dizendo que isso é real)
Outra coisa, criticam a gente também por receber bolsa auxílio, mas vou te contar. Quem me liga até hoje me oferecendo cursos profissionalizantes é o governo PT (Oferecendo bolsas que ainda não foram retiradas pelo novo governo). Olha que me inscrevi nisso desde quando eu recebia auxílio de comida, de gás, bolsa escola, essas paradas aí…Deve ter uns 10 anos, ainda quando meus irmãos eram menores de idade. (Não estou louvando o PT, apenas dizendo que isso é vida real)
Podem achar tudo contraditório, mas todas estas contradições fazem parte do nosso dia a dia, é sobrevivência, nossa luta é básica.
Temos que tirar o foco da crítica à favela, a crítica tem que ser feita lá em cima, aos que detém o poder, aos que sempre tiveram privilégios, pq eles têm tudo e nós temos migalhas? Os privilegiados que merecem qualquer crítica. Agora, as críticas internas, deixem com a favela, ela sabe fazer a ela mesma.

Cerimônia de entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência emociona todo o público

medalha_GizeleMartins.jpgMais de 200 pessoas estiveram presentes na 28ª entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência, realizada no auditório da OAB, no Rio de Janeiro. A cerimônia, que começou por volta das 19h, contou com movimentos sociais, familiares de vítimas da ditadura militar, familiares de vítimas da atual repressão do Estado em favelas cariocas, organizações de direitos humanos e militantes de diversas partes do país. O Grupo Tortura Nunca Mais, grande realizador desta premiação, conseguiu mais uma vez emocionar todo o público: músicas, cânticos que lembram a resistência durante a ditadura e gritos de ordem, foram entoadas por todo o público durante as duas horas de homenagens. Continuar lendo “Cerimônia de entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência emociona todo o público”

Mulheres: uma luta que deve ser diária

Foto_GizeleMartins_campogrande.jpg
Apresentação do Teatro do Oprimido no calçadão de Campo Grande (Foto: Gizele Martins)

Com teatro, música, panfletagem e muita emoção foi realizado o ato ‘Pelo Dia Internacional da Mulher’, na manhã do dia 12 de março, no calçadão de Campo Grande. Aproximadamente 40 mulheres estiveram presentes, sem contar nas que passavam pelo local e paravam para ouvir, participar e ver a encenação feita pelo Teatro do Oprimido 12, do Conjunto de Favelas da Maré.

Continuar lendo “Mulheres: uma luta que deve ser diária”

O grito de socorro da mulher favelada

Ser mulher favelada!

12081472_1031759980200801_558715978_n
Foto: Carlos Cout

Aproveito esse espaço para falar da mulher favelada, desta que serve e faz a cidade funcionar todos os dias. É esta mulher favelada que muitas das vezes não tem nome, nem sobrenome e não mora em lugar nenhum. Hoje, ela está aqui exigindo o seu direito de ser mulher, de que alguém ouça o seu grito de socorro!

Tal mulher é, em sua maioria, nordestina, negra, indígena, é parte deste povo que está morrendo dia a dia. Digo, dia a dia, porque é sua casa que há mais de cem anos é removida nesta cidade maravilhosa, é o seu filho que há um século está sendo assassinado por causa da criminalização da pobreza. É ela, os seus filhos e seus familiares que não têm e nunca tiveram o direito de estudar, de ter o direito à saúde, ao trabalho digno e até o direito de circular a cidade, a não ser que seja para trabalhar.

Continuar lendo “O grito de socorro da mulher favelada”

Ser mulher e favelada é resistir dia a dia

images-cms-image-000485721Ser mulher favelada é resistir dia a dia! São os muros que nos cercam, são os tiros que atingem os nossos filhos, são as nossas casas que nos são tiradas dia a dia, somos arrastadas pela polícia. Ser mulher e favelada é lutar e resistir diariamente a uma vida que nos obrigaram a ter só por causa do espaço que nascemos, moramos e da cor que esta maioria tem.

Ser mulher e favelada é ser obrigada a lutar diariamente, porque a escolha de ficarmos caladas, esta, nunca foi nos dada, já nascemos para gritar, nascemos literalmente gritando contra esta sociedade desigual! Descer o morro, andar pelas ruas da favela, resistir às UPPs, aos tanques guerra, à falta de saneamento e calçadas que não existem, já é uma enorme resistência. Chegando ao asfalto ou ligando a TV temos mais lutas, pois o que a gente vê são inúmeros estereótipos sobre nós.

Continuar lendo “Ser mulher e favelada é resistir dia a dia”